Tenho sangue italiano nos dois lados da família, daquele que fala sempre alto e gesticulando e faz questão de comer muito e bem; quando me perguntaram: “Vamos num restaurante italiano aqui em Brasília?”, duas veias italianas saltaram imediatamente.
Uma saiu berrando “Ma che, é claro que não vou recusar uma boa pasta!”; mas outra cochichou suspeita: “Hmmm, será que esse restaurante é bom?”. Mais um motivo para ir e ver por mim mesmo.
E eis que fomos em 7 pessoas para o Gatto Nero Gastronomia, um restaurante extremamente simpático no Lago Sul. Mesas de vidro na varanda deixam o ambiente bem aconchegante, um lugar perfeito tanto para um almoço com os amigos quanto para um jantar à dois (mas só de quinta à sábado, nos outros dias o restaurante fecha à noite).

Antepasto... o começo de uma boa refeição
Mas vamos ao que interessa… Somos recebidos por um couvert bem variado e farto; caponatina e conserva de berinjela (incríveis), sardela (muito bem feita e suave), pimentão agridoce (ponto alto na minha opinião) e pastas de gorgonzola e tomate seco (que ficaram um pouco a desejar, estavam meio sem gosto), acompanhadas de tiras finas de focaccia torrada. Até agora, tudo ótimo.
Decidimos pedir um vinho; a Larissa sugeriu um Carménère, que é um dos meus vinhos favoritos, mas achei que ficaria um pouco forte para acompanhar a massa. Mas ela me garantiu que não ficaria e resolvi aceitar a sugestão…
A primeira surpresa foi que o vinho veio gelado (!); ok, vamos dar uma chance… Aí vejo que a garrafa não tem rolha (sim, uma garrafa de rosca!); nesse ponto o meu conventional knowledge sobre vinhos me dizia (ou melhor, gritava) “Furada!”, mas uma surpresa me aguardava.
O Viña Carmen Carménère Valle Central 2008 tem 85% de uva Carménère, 15% de Cabernet Sauvignon e é extremamente refrescante e leve quando gelado, uma adição muito bem-vinda à refeição.
Mas… e a massa? Calma, já chegamos lá; fui imediatamente cativado por um item do cardápio: Tortellini de figo e nozes ao molho de quatro queijos. A massa estava bem servida e com o balanço exato entre o doce e o salgado; já o molho estava gostoso, mas nada de excepcional.

Figo e nozes são sempre uma ótima combinação
O Napô pediu um tortellini de abóbora ao pesto, também uma massa excepcional, com um molho bem feito. Foi consenso de todos que as massas eram excelentes e caíram bem com o vinho, mas alguns molhos precisavam de um pouco de esmero.

Tortellini di zucca
Finalmente, meus olhos saltaram quando vi no cardápio de sobremesas o sinal de um bom restaurante italiano: tiramisù. A mistura de queijo mascarpone, pão-de-ló, café, chocolate e licor é uma das minhas sobremesas favoritas e me deixa salivando só de pensar…

Bonito, não?
A apresentação estava incrível, mas a primeira colherada deixou uma impressão estranha: a cremosidade estava na medida, o pão-de-ló, molhadinho, mas faltava algo. Não sentia o gosto do café e do licor, deixando a sobremesa um pouco sem graça.
O veredito? Tudo estava muito bom, apesar de alguns detalhes. Apenas um problema mais sério: o serviço estava sofrível. Quando finalmente fomos atendidos, os pedidos demoraram e nem todos vieram corretos; espero que tenha sido uma exceção, pois é com certeza um lugar onde quero voltar para comer uma boa massa (e talvez dar uma segunda chance ao tiramisù…)
Gastronomia Gatto Nero
SHIS QI 07, bloco B, loja 105
Telefone: (61) 3248-1609
Cotação: * * * * *
Preço: $$$$$ (de R$ 20,00 a R$ 40,00)
Preparem-se; nos próximos posts, mais um drink, feijoada e comfort food japonesa!
Um grande abraço!