Drink #003 – Limoncello

O drink de hoje não é exatamente um drink, mas a receita de um licor; o limoncello é feito a base de limão siciliano e é um famoso aperitivo na Itália. Sou viciado nesse negócio e tinha uma receita para fazê-lo em casa já faz um bom tempo, mas sempre faltava saco ou sobrava preguiça.

Ao ver uma garrafa de shochu vazia e alguns limões sicilianos dando sopa na minha cozinha, decidi: “De hoje, não passa!”. E me arrependi amargamente de não ter tentado essa receita antes! É tão simples de fazer que você precisa de menos de uma hora de trabalho ao todo para ter esse licor na sua geladeira; além dos limões (dos quais você só vai usar a casca), vodca, água e açúcar são os únicos ingredientes – além de um pouquinho de paciência para deixar os sabores do limão se infundirem na vodca. Mas eu garanto que a espera vale cada segundo.

LIMONCELLO

Ingredientes:

  • 10 limões sicilianos
  • 1 garrafa de 750 ml de vodca (mais uma vez, vale o conselho: use algo decente; não precisa ser uma Cîroc, mas não me venha com Balalaika, né?)
  • 3 copos de água
  • 1 copo e meio de açúcar

(Na receita que eu testei, reduzi todas as medidas pela metade)

Primeiro, lava-se bem os limões por fora, para tirar o máximo de cera e agrotóxicos da casca. Depois, descascamos os limões, tomando cuidado para deixar o mínimo possível da parte branca da casca, que não nos serve para a receita.

Após isso, coloca-se as cascas dos limões e a vodca em um recipiente de vidro bem limpo (use os limões para fazer uma caipirinha depois!). Esqueça em um lugar escuro e seco por cerca de uma semana.

Passada a semana, coe a mistura e descarte as cascas. A bebida deve estar daquela cor amarelo-marca-texto, bem forte.

É assim que a vodca fica depois de uma semana misturada às cascas.

Faça o xarope de açúcar; leve a água e o açúcar ao fogo bem baixo até que todo o açúcar esteja completamente dissolvido. Espere esfriar e adicione à vodca. Acondicione em uma garrafa.

Devolva a garrafa ao local escuro que você escolheu e espere mais uns três dias. Guarde o seu limoncello pronto na geladeira e sirva sempre gelado – puro ou misturado com grappa em medidas iguais – como aperitivo.

Trincando de gelado, para abrir o apetite ou para fechar uma refeição!

Dura cerca de um mês na geladeira, mas eu realmente duvido que você não queira terminar com sua garrafa antes disso…

Um grande abraço e até a próxima!

Molho Rústico de Lingüiça

Todo mundo gosta de uma boa massa, mas às vezes estamos sem saco para cozinhar e o resultado é geralmente um spaghetti sem graça com uma lata de molho de tomate pronto ou o sempre presente Miojão…

Nada contra macarrão instantâneo, mas aquele molho de envelopinho é simplesmente nojento; sem contar que é perfeitamente possível fazer um molho simples, rápido e delicioso – sem prática, tampouco habilidade.

Essa receita têm dois ingredientes principais: o primeiro é obviamente a lingüiça (com trema – ainda não aderi à reforma ortográfica de birra mesmo!) e o segundo é um coadjuvante importantíssimo para a receita: erva-doce. A união dos dois leva a um molho saboroso que combina com qualquer massa.

MOLHO RÚSTICO DE LINGÜIÇA

Ingredientes:

  • 500 gramas de lingüiça toscana (prefira a da marca Aurora)
  • 1 colher de chá de alho picado
  • 1 cebola grande bem picada
  • 1 lata de molho de tomate
  • 1 colher de sopa de sementes de erva-doce
  • 1 colher de chá de manteiga (eu disse MANTEIGA! – não me venha com margarina…)
  • azeite de oliva
  • sal e pimenta do reino a gosto
  • meio copo de vinho tinto (opcional)

O primeiro passo importante é preparar a linguiça; tire a pele que a reveste e pique bem pequeninho.

É assim que ela tem que ficar antes de ir para a panela.

Em uma panela grande (prefira as de fundo grosso), derreta a manteiga e acrescente o azeite; doure o alho e depois adicione a cebola. Quando estiver bem refogada, com uma cor bem dourada, adicione a lingüiça e refogue mais; quando tudo estiver bem refogado, adicione as sementes de erva-doce (esmague-as antes de coloca-las, ajuda a soltar os aromas).

Depois de uns 2 minutos refogando, adicione o molho de tomate e cerca de meio copo de água (se você tiver à mão o vinho tinto, faça a substituição). Espere levantar fervura e abaixe o fogo para o mais fraco possível. Deixe borbulhar por uns 25 minutos ou até o molho deixar de ser totalmente líquido e começar a adquirir uma consistência mais cremosa.

À essa altura, o grande desafio é não babar na panela…

Desligue o fogo e sirva com a massa de sua preferência. Essa quantidade de molho dá seguramente para 500g de massa – uma porção suficiente para alimentar 4 italianos famintos. Para menos porções, recomendo o seguinte: faça a mesma quantidade de molho, use o que precisa e guarde o resto na geladeira (dura uma semana) ou freezer (mais ou menos um mês), para outras oportunidades.

Lembra que eu falei que o molho caía bem com qualquer massa? Bem, no dia que fiz o molho, fiquei tão empolgado com a receita que esqueci de ver se tinha macarrão em casa; a única massa disponível era… MIOJO! E não é que até com o miojo o molho fica bom?

Pagando minhas palavras, sem arrependimentos!

E vocês, tem alguma receita rápida pra hora do desespero? Mandem nos comentários, ok?

Um grande abraço!

Comida de Rua na Palestina

Sempre gostei de viajar e um dos lugares que sempre tive vontade de conhecer era a Palestina; eis que as pegadinhas da vida me levam a passar 5 dias em Belém a trabalho; antes que algum engraçadinho pense em fazer a piada: não, eu não fui ao Pará, mas sim a um lugar maravilhoso com uma comida melhor ainda.

Fui instruído pela recepcionista do hotel a experimentar o famoso restaurante do hotel onde ficava, que se vangloriava de ter a melhor cozinha internacional da Palestina. E eu lá ia experimentar comida internacional num lugar desses?

“When traveling, always eat like a local”. Com essas palavras de Anthony Bourdain (lembram dele?) na cabeça, lá fui eu ao centro do comércio da cidade, perto da Praça da Natividade, onde a Igreja de mesmo nome abriga o local onde Jesus teria nascido.

Logo vi uma pessoa fritando algo em uma barraquinha suspeita – perfeito! E o meu primeiro encontro com a culinária local foi um dos meus favoritos: falafel.

Não tem o camarão seco, mas a pimenta é boa!

Uma massa de grão-de-bico frita, muito similar a um acarajé árabe, é colocada em um pão sírio recheado de pepino, tomate, cebola e molho de tahine: saudável, delicioso e barato (7 shekels ou R$3,50).

Após virar a cidade de cima a baixo à pé, com suas lojas de artigos religiosos e produtos locais, inevitavelmente a fome bateu de novo. A única diferença é que percebi que estava completamente perdido – à noite -na cidade…

Minha salvação foi um simpático vendedor de kebabs que, dirigindo o seu carrinho, me salvou com o caminho de volta para o hotel e um dos melhores sanduíches que eu já comi. Carne de carneiro moída e temperada assada em um espeto, acompanhada de picles picante num pão. Não dá para ficar melhor do que isso.

Melhor comida de rua da minha vida!

Ledo engano. No dia seguinte o motorista de táxi recomendou um lugar para comer shawarma – para os que não sabem o que é isso: churrasquinho grego, para os íntimos.

Mas há uma grande diferença entre um shawarma e um churrasquinho grego. Ao passo que a versão brasileira é geralmente carne de origem suspeita ressecada e colocada num pão francês duro com vinagrete (e um suquinho de graça), a versão árabe é carneiro temperado com uma variedade de acompanhamentos sensacionais num pão-folha, recém-saído do forno. Não dá pra comparar, né?

“Um número 1 com coca, por favor…”

E para arrematar, todas essas comidas maravilhosas foram acompanhadas pela Taybeh, a única cerveja feita na Palestina. (antes que você pergunte, não se esqueça que há uma grande comunidade cristã na Palestina; os muçulmanos não bebem isso!)

Desbancou muita cerveja brasileira boa…

Um grande abraço!

Frango “Indiano”

Depois de um bom tempo sem postar por conta de (n+1)² coisas a fazer, voltamos com mais uma receita rápida e fácil.

Essa receita estava fermentando na minha cabeça faz um tempo e simplesmente não tinha tempo de faze-la, apesar dela ser muito fácil. O “indiano” está entre aspas de propósito, porque não é exatamente uma receita indiana, mas sim apenas uma inspiração para o prato, tanto nos temperos quanto no uso do iogurte para a marinada.

A marinada é a grande sacada desse prato, pois pode ser feita com antecedência, colocada no frango e posta na geladeira por até 3 dias (tô falando sério, não tem problema mesmo!), sendo uma grande alternativa para quem não tem muito tempo para cozinhar; deixa tudo pronto de antemão e é só montar na hora.

FRANGO “INDIANO”

Ingredientes fáceis de achar

Ingredientes:

  • 6 sobrecoxas de frango

Marinada:

  • 1 colher de sopa de cúrcuma
  • 1 colher de sopa de pimenta do reino
  • 1 colher de sopa de gengibre fresco bem picado
  • 1 colher de sopa de alho picado
  • 1 colher de sopa de sementes de coentro moídas*
  • 2 copos de iogurte integral (não, você NÃO pode usar iogurte desnatado! O prato já é bem saudável e o iogurte desnatado vai deixar o prato sem graça, na minha opinião)
  • sal e azeite de oliva a gosto

* se você não tem um moedor ou um pilão (como eu…), não tem problema; é só usar um copo e o cabo de uma faca grande para amassa-las (só tome cuidado para não se cortar!)

Misture em uma tigela os temperos , o azeite e o iogurte. coloque as sobrecoxas e transfira tudo para um tupperware.

Ingredientes secos da marinada

Deixe na geladeira por pelo menos 6 horas (eu prefiro deixar de um dia pro outro)

Marinada pronta (dá um ótimo molho pra salada também!)

Lave 4 batatas e corte-as em pedaços médios, com casca e tudo; faça o mesmo com 2 cebolas descascadas. Coloque os legumes e o frango marinado em uma travessa e leve ao forno pré-aquecido em potência média. Asse por 40 minutos, virando o frango e os legumes de vez em quando. Sirva com arroz branco.

Rápido, fácil e excelente para cozinheiros preguiçosos

Rende de 4 a 6 porções (dependendo do tamanho das sobrecoxas e das batatas – e de quanto arroz você fizer!)

No próximo post, mais uma viagem gastronômica inusitada!

Um grande abraço e até a próxima!

Drink #003 – Hair Raiser

Continuando a série de posts sobre drinks, apresento mais um drink rápido e fácil de fazer, que não precisa de muitas ferramentas (basicamente uma colher e uma faca), muito refrescante (especialmente nesse calor modorrento de Brasília nas últimas semanas…) e bem leve – ao contrário do que o nome leva a crer…

Quem fez o drink e bateu a foto foi o Napô, MAS FUI EU QUE BEBI!

HAIR RAISER

Ingredientes:

  • 1 dose (50 ml) de vodka (mais uma vez, vale a dica: NÃO USE VODKA VAGABUNDA!)
  • 1 dose (50 ml) de vermute tinto
  • 1 dose (50 ml) de club soda
  • gelo
  • casca de limão

Misture a vodka, o vermute e o club soda com uma colher num copo alto. Acrescente bastante gelo e decore com a casca de limão.

(Dica: dê uma torcidinha na casca antes de coloca-la no copo, para soltar um pouco do gosto amargo – confie em mim, funciona!)

E continua o convite para que vocês, leitores do blog, contribuam com receitas e comentários sobre os posts!

Um grande abraço!

Quem fez o drink e bateu a foto foi o Napô, MAS FUI EU QUE BEBI!

Feijoada Completa

Por mais que eu adore comidas exóticas e experimentar novas receitas, alguns clássicos são indispensáveis; uma boa feijoada é definitivamente um desses clássicos. Conheço vários lugares bons em São Paulo para matar essa vontade (apesar de nenhum bater a feijoada da minha mãe…), mas ainda não tinha encontrado um lugar em Brasília até que me convidaram:

“Vamos comer uma feijoada no Mercadão?”

 

 

Aquela frase me deixou confuso. Estamos em Brasília e a única referência que tinha de um mercadão era o da Cantareira, em São Paulo (um dos meus locais favoritos no mundo, mas que não serve uma feijoada boa…). Aí me toquei, estavam falando da feijoada do Mercado Municipal de Brasília. Topei na hora.

Ainda não conhecia o lugar, mas tive uma ótima surpresa. O Mercado é realmente muito bom, embora não possa ser comparado em tamanho e variedade com a sua contraparte paulista (mas isso já é pedir demais, eu sei). Uma ótima seleção de carnes, embutidos, grãos e ingredientes em geral convive com um aconchegante bar e restaurante que serve um bufê de feijoada aos sábados.

Torresmo, costelinha e farofa: uma interpretação possível da santíssima trindade!

Por R$ 29,00 aproveitamos uma senhora feijoada, com as carnes separadas para os mais frescos (mas tinha língua, pé e orelha para os que quisessem, ou seja, EU!)

Para todos os gostos

Os acompanhamentos são os de praxe: farofa, torresmo, bisteca, couve e molho de pimenta, além de uma caipirinha meio suspeita (pouco limão e muita pinga)… tudo muito bem temperado e gostoso, com destaque especial para o torresmo – sequinho e crocante.

Acabei pedindo uma caipirinha a parte; compare com a que está ao lado do prato…

Agora com certeza já tenho pelo menos um bom lugar para comer uma feijoada, embora já tenha recebido recomendações de outros lugares – que com certeza irei para comprovar. Se vocês tiverem mais alguma sugestão, comentem!

Em outro post falo do Mercado em si

Mercado Municipal de Brasília

W3 Sul, quadra 509

Telefone: (61) 3248-1609

Cotação: * * * * *

Preço: $$$$$ (de R$ 20,00 a R$ 40,00)

Um grande abraço!

Sanduíches e almôndegas como você nunca viu!

Após um período de férias, o Amigos do Garfo está de volta!

E houve um bom motivo para minha ausência; nas duas últimas semanas do ano, estive viajando e – obviamente – experimentando um monte de comidas diferentes… E o primeiro post de 2010 é sobre uma dessas viagens: DINAMARCA.

Passei sete dias em Copenhague, porém o tempo agradável (-5ºC) e o fato de que estava trabalhando não me permitiram conhecer muita coisa, mas tive a chance de conhecer alguns pratos típicos de lá…

A melhor novidade foi o smørrebrød (literalmente “pão com manteiga”), um tipo de sanduíche aberto. Mas aí você pensa: “Pô, o cara viaja e ele me vem falar de sanduíche?”. Mas não estamos falando de um sanduíche qualquer; antes de mais nada, é um sanduíche aberto (sem a fatia de cima do pão); depois, o pão é MUITO bom (pensa no melhor pão preto ou de centeio que você já comeu); finalmente, os recheios são maravilhosos e abundantes – sem falar numa manteiga de respeito. Apenas para dar alguns exemplos:

  • Rosbife, molho de raiz forte, picles e cebola crocante;
  • Maionese fresca e camarões;
  • Peixe frito, maionese de endro e caviar;
  • Salada de batata e torresmo (!)

E as opções pareciam não terminar…

E o melhor de tudo é que o smørrebrød é extremamente barato. Cada sanduíche desses custa em média 15 coroas (cerca de 5 reais) e você não conseguirá comer mais do que dois! E você consegue comprá-los quase em qualquer lugar, é realmente uma comida de rua…

Além disso, tive a oportunidade de dar uma escapadinha num domingo para Malmö, uma cidade na Suécia a uns 40 km de Copenhague, para experimentar uma comida lendária: almôndegas suecas.

Para os que não entendem porque almôndegas suecas possuiriam caráter lendário, eu vos digo: Vocês não tiveram infância. (Só perdoo quem tiver menos que 25 anos!)

Falando sério agora: as almôndegas suecas são realmente diferentes. Carne de vaca e porco são misturadas com farinha de rosca, temperos e leite, criando algo mais compacto e saboroso do que o que você vê na sua macarronada.

Köttbullar!

A maneira de servir é diferente também: elas são fritas e servidas com purê de batatas e molho doce de lingonberry, uma frutinha parente do cranberry, que surpreendentemente combina muito bem com as köttbullar (é assim que os suecos chamam as almôndegas), talvez por não ser muito doce. E, para variar, não fui a um restaurante experimenta-las, mas numa banquinha de rua!

Vendedora de köttbullar… bem mais simpática que o Swedish Chef, não?

E para beber, muita cerveja. As cervejas na Dinamarca são muito boas e baratas (geralmente mais baratas que refrigerante), sendo que duas se destacam: a Carlsberg (que é até conhecida por aqui) e a Tuborg, que eu nunca tinha ouvido falar, mas me surpreendeu com a Julebryg, uma “cerveja de natal” altamente viciante feita com alcaçuz…

Julebryg (desculpem, mas a foto não é minha…)

Em suma, a viagem foi incrível e a comida, melhor ainda. E fica aqui o convite: comentem sobre outras “comidas de rua” ao redor do mundo, pois alguns posts sobre elas aparecerão por aqui.

Por enquanto é só. Um grande abraço!

One crazy motherf**ker

Você já ouviu falar de Anthony Bourdain?

Esse é o cara!

Bem, se você é leitor desse blog e respondeu “não”, shame on you!

Esse cara é um dos meus ídolos; um ex-viciado que hoje em dia é um dos mais conhecidos cozinheiros e apresentadores de programas de culinária por ter escrito um livro  – Cozinha Confidencial – no qual lenha uma cambada de cozinheiros famosos, conta a sua história de vícios, putarias e afins, tirando todo e qualquer glamour da alta cozinha, expondo todos os podres em detalhes; um sujeito que não mede as palavras antes de falar, “usando puta que pariu como vírgula”, como diria meu avô.

A fama do livro levou Bourdain a produzir e estrelar um programa de TV que fez mais sucesso ainda, No Reservations (ganhou até um Emmy…), rodando o mundo atrás de novidades culinárias. Um fanático por sushi, qualquer parte do porco ou – nas suas próprias palavras – “qualquer carne misteriosa moldada em tubos ou em um espeto”. (E vocês ainda se perguntam porque eu admiro o cara…).

Para os que conhecem pouco sobre culinária e restaurantes, é uma valiosa fonte de informações. Um pequeno exemplo, para aqueles que adoram um filé bem-passado:

“O que acontece com o pedaço de filé mignon meio duro e suspeito no fim da peça? Guarda-se para o bem-passado.”

E essa é uma das passagens politicamente corretas do livro!

Eu tive a oportunidade de ver o sujeito ao vivo (de relance, mas ainda assim valeu…) quando ele veio a São Paulo. Estava dirigindo na Paulista quando eu e minha mãe o vimos pela janela. Ela não pensou duas vezes e colocou a cabeça pra fora da janela, gritando a plenos pulmões: “Tony, I love you!”. Ele se virou e mandou um tchauzinho…

Enfim, ele é um dos caras que hoje em dia ajudam a propagar a idéia de que não é necessário ser chique ou ter muito dinheiro para se comer bem e que usar os produtos locais é SEMPRE a melhor idéia.

Fica aí a sugestão; leiam o livro, acompanhem a série. Vocês com certeza vão me ouvir falar mais dele e vão aprender porque nunca se deve comer frutos do mar às segundas, bufês de brunch são a maior furada da face da terra e não é preciso complicar para se comer bem.

Para os que ficaram curiosos, um pequeno vídeo de Tony Bourdain falando sobre food porn (sim, você leu direito) aqui.

Um grande abraço!

Drink #002 – Le Mans

Brasília, sexta à noite. Uma canseira de derrubar qualquer um ao fim de uma semana atropelada e uma preguiça do cão. Olho para o Ortega e falo:

“Vamos sair para tomar uma breja?”

“Nah… tô com muita preguiça…”

“Vamos fazer um drink então.”

“Eh, vai lá e faz qualquer coisa então.”

E foi nesse clima estafante e um ânimo de Macunaíma que abri o livro de receitas de drinks e me deparei com uma das melhores surpresas que já tive. Lá estava ele, um drink rápido, delicioso, refrescante e tão fácil de fazer que um ornitorrinco manco com 15 minutos de treino conseguiria fazer!

Compartilho então com vocês uma receita muito boa e apresento na foto um grande amigo: Washington, a Carranca, um dos moradores do Reino Unido do Paranoá, apelido carinhoso para um simpático apartamento que chamei de casa por três meses e que recentemente deixei, já sentindo uma certa saudade.

Não é simpático o Washington?

LE MANS

Ingredientes:

  • 1 dose (50 ml) de vodka (boa, pelo amor do seu fígado não use Askov, Balalaika ou similares)
  • 1 dose (50 ml) de Cointreau (Ou outro licor de laranja como Curaçao)
  • Club soda

Em um copo alto, coloque a vodka, o Cointreau, algumas pedras de gelo. Complete com club soda e decore com algumas fatias finas de limão; misture gentilmente com uma colher.

Só isso?!? Sim, eu disse que era fácil.

Um grande abraço!

Comfort Food Japonesa

Todos nós temos uma comfort food própria; aquela comidinha que nos faz sentir bem, que nos traz de volta momentos nostálgicos. Um prato de canja num dia frio, aquele bolinho de chuva da vovó ou aquele prato de arroz, feijão e bife acebolado que comíamos na casa da mãe; as variações são inúmeras e dependem da cultura e do lugar. Para os japoneses, com certeza há um prato que figura no topo da lista das comfort foods: karê.

O cozido de carne, legumes e curry é onipresente nas mesas de famílias japonesas nas noites de sexta-feira e é uma refeição substanciosa e muito fácil de fazer, principalmente com um pequeno truque.

Em qualquer loja de produtos orientais e na maioria dos supermercados, você pode encontrar uma mistura pronta de curry que só requer água quente; a mistura de tempero, óleo e farinha (roux) vem em diversos níveis de intensidade, desde os mais fracos aos realmente picantes.

Atenção para a escala de calor no canto da embalagem

Eu apenas fiz uma pequena alteração na receita original: geralmente o karê japonês é feito com carne de boi (músculo ou acem), mas como não achei nenhum corte decente, usei porco; é uma receita realmente simples e rápida.

Aí vai a receita:

KARÊ (カレー)

Ingredientes:

  • 500 gramas de carne de porco (lombo ou pernil – recomendo pernil, fica menos seco)
  • 2 batatas
  • 2 cenouras
  • 2 cebolas
  • 1 pimentão
  • 1 colher de chá de alho picado
  • azeite de oliva
  • sal e pimenta do reino a gosto
  • 100 gramas de mistura para curry (existem várias marcas e intensidades, eu usei a Golden Curry Karakuchi – picante ゴールデンカレー辛口)

Corte todos os ingredientes em cubos grandes; o objetivo é deixar tudo mais ou menos do mesmo tamanho; não se preocupe em fazer tudo bonitinho, o karê é prato rústico mesmo!

Numa panela, esquente azeite de oliva em fogo alto e refogue o alho picado. Adicione a carne de porco e refogue bem com sal e pimenta do reino a gosto (10 minutos). Depois, adicione as batatas e as cenouras e refogue por mais 10 minutos; acrescente as cenouras e o pimentão e refogue por mais 5 minutos.

Enquanto isso, esquente em outra panela 400 ml de água até começar a ferver; desligue o fogo e acrescente a mistura de curry cortada em pedaços. Mexa até dissolver o roux.

Acrescente a mistura ao refogado e mexa em fogo baixo até engrossar (aproximadamente 5 minutos). E está pronto! Rende 4 porções.

O acompanhamento não poderia ser mais simples: uma generosa porção de arroz branco e uma porção de tsukemono (picles japonês, que pode ser de diversos vegetais – meus favoritos são pepino, nabo e alho). Infelizmente, não tinha nenhum na cozinha, então foi só com o arroz mesmo, pra comer de colher.

Nota mental: fazer tsukemono!

E lá fomos eu e o Pereira avançado vorazmente no karê num calor infernal de Brasília. Resultado: não conseguíamos parar de suar por uma meia hora depois de jantar (edit 05/12 23:25 — o Pereira faz questão de dizer que não suou, mas que estava quente, estava!)!

E quanto a vocês, leitores? Qual é a comfort food que vocês adoram? Comentem!

Um abraço e até mais.